Conhecer pessoalmente gente que você só conhece pela internet é sempre estranho. A gente nunca sabe se a pessoa do outro lado não é um psicopata estrangulador ou algo assim. Mas tenho que dizer que eu tive muita sorte até hoje, já que todos os meus amigos e amigas que conheci são tão estranhos quanto eu achei que fossem ser, então eu estava segura. Nenhum homicida até agora.
Quando viajei pra conhecer meu namorado pessoalmente foi uma das coisas mais malucas que já fiz. E tem vários motivos pra isso:
1. Eu nunca tinha viajado de avião.
2. Eu nunca tinha ido pra tão longe sozinha.
3. Eu nunca tinha ido pra Minas Gerais.
4. Ele podia me ver e se decepcionar totalmente.
A questão do meu namorado ser um psicopata assassino de garotas inocentes eu excluo porque eu tinha certeza que ele não era. E eu estava certa.
Como eu disse, nunca tinha viajado de avião, então tinha medo de me perder nos aeroportos e fazer alguma besteira, o que é bem a minha cara. Não tinha medo de viajar de avião em si, essa parte foi bem tranquila. O problema é que pra chegar na cidade onde meu namorado mora eu tenho que pegar um avião que vai até São Paulo, em São Paulo pegar outro que vai até Uberlândia e de lá pegar um ônibus pra chegar finalmente no meu destino (ufa!). É super cansativo. Agora eu vou de ônibus, o que se você contar todas as horas só de viagem dá umas 15. Meio sofrido, mas vale totalmente a pena.
Na viagem tinha dado tudo certo, eu ia chegar na rodoviária uma hora da manhã. Não sei se preciso dizer que eu tava super nervosa. A gente nunca tinha se encontrado. E se ele me achasse muito babaca? E se ELE fosse babaca? Vai saber, né, tem gente que é diferente na internet e na "vida real". E se a gente se desse bem só escrevendo e falando de longe e quando ficássemos perto fosse chato e estranho? E se EU fosse chata e estranha? E se eu ficasse tão tímida que mal conseguisse falar com ele/olhar na cara?! Ué, era possível! Não sou nenhum pouco muito boa com pessoas.
Fiquei de olho nas placas pra ver se estávamos perto. Logo entramos na cidade. Tenho que dizer que eu gosto bastante da entrada daquela cidade. A rodovia iluminada, e aquele nervosismo misturado com alegria que eu SEMPRE sinto, não importa quantas vezes eu já tenha ido pra lá. Sempre me faz pensar que eu devo ser a pessoa que fica mais feliz no mundo por chegar naquela cidade do interior de Minas Gerais.
O ônibus chegou na rodoviária. Meu coração tava quase saindo pela boca, eu mal conseguia ouvir meus pensamentos e o que eu pensava era: FICA CALMA, SUA IDIOTA! O máximo que acontece é ele não gostar de você. Aí você espera uma semana super estranha e desconfortável e volta pra casa.
Eu dei uma arrumada rápida no meu cabelo (ou seja, passei as mãos nele pra ver se dava um jeito na juba), as pessoas começavam a sair do ônibus, então eu levantei, respirei fundo, e caminhei até a saída. Quando saí do ônibus eu não sabia se ia pegar minha mala ou ia ao encontro do G. Até hoje eu fico na dúvida quando desço do ônibus, o que é meio idiota porque é CLARO que eu devia ir primeiro ver meu namorado. Mas ok.
Lá estava ele. Não tinha me dado o bolo nem nada, tava lá me esperando, paradinho. Eu não lembro que roupa ele vestia nem todas esses detalhes do tipo, só sei que ele provavelmente tava com uma cama por cima da camiseta. A gente sorriu (oba, ele não ficou desapontado, ou pelo menos sabe fingir bem!) e fui até ele. Nos abraçamos e foi tipo... uau. Nosso primeiro abraço! Tenho que falar que nossos abraços não são abraços normais, já que deve causar uma certa dor na coluna no meu namorado, que é bem uns 20 e poucos centímetros mais alto que eu, e uma certa dor no meu pescoço, já que eu tento me esticar um pouco pra facilitar pra ele. Mas são os melhores abraços, sempre.
Eu tava meio sem jeito, claro. Fui pegar minha mala e ele foi comigo, então nós seguimos para o carro. Ah, um detalhe: o Cabeludo (tá certo que hoje em dia ele não é cabeludo, mas o G. ainda chama ele assim). Ele é amigo do G. e foi com ele me buscar na rodoviária, já que meu namorado é desprovido de automóvel. Eu e o G. fomos no banco de trás rumo à casa dele. Ainda não tinha terminado o nervosismo, já que eu ia conhecer minha sogra. E vocês devem saber como é meio... tenso. Não importa quão legal ela seja, você sempre fica com medo.
Mas deu tudo certo. Eu poderia contar mais um mooonte de coisas que aconteceram, mas aí esse texto ficaria enorme. Conheci vários amigos do G., conheci um pouco mais da cidade (e gostei) e nós demos mais certo do que eu poderia imaginar. Eu consegui conversar, fazer minhas piadas idiotas, consegui ser eu mesma, mesmo que meio tosca. E ele gostou de mim mesmo assim!
Enfim, foi, digamos, perfeito. Pena que a viagem acabou tão rápido e logo tínhamos que nos despedir, sem saber ao certo quando nos veríamos de novo...
Aí veio a despedida. Mas sobre isso eu falo uma outra hora...
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