Aquele dia raro em que nós dois acordamos cedo.
Eu levanto com a maior falta de vontade do universo e vou trocar de roupa. Guardo o pijama na mala, verifico se está tudo lá (mas sempre esqueço alguma coisinha – da última vez uma calça e um sutiã). Tento levantar a mala, com muita dificuldade, só pra ver se está muito pesada. Ela sempre volta mais pesada porque eu levo uns doces de leite pras minhas amigas e meus parentes (mesmo que tenha doce de leite de Minas pra vender nos mercados da minha cidade, mas não é a mesma coisa, né?).
Acordo ele – é sempre difícil e às vezes ele acaba “brigando” comigo enquanto dorme, aí eu fico chateada porque é isso que eu faço de melhor, mas ele nem sabe o que aconteceu, já que tava dormindo, como eu já disse. Enfim. Ele troca de roupa, se der tempo a gente come alguma coisa antes de sair, mas geralmente não dá. Se der tempo nós tomamos nosso abençoado Toddy (sim, bem maduro da nossa parte) e comemos sei lá, bolacha, pão.
Olha eu detalhando demais.
Tá, aí saímos arrastando minha mala pela rua (mentira, ele que leva pra mim) e eu sempre penso que vou perder o ônibus pra rodoviária. SEMPRE. Mas até hoje não perdemos nenhuma vez. Entramos no ônibus, sentamos lá no fundo. A essa hora eu já to com a minha cara de enterro faz tempo, tipo... desde que acordei. E aí ele sempre olha pra mim e pergunta “você não vai chorar, né?” e meus olhos já enchem de lágrimas e eu faço aquele bico.
Fico ansiosa pensando que vamos chegar atrasados, querendo chegar logo na rodoviária, mas também querendo que demore um monte pra que eu possa ficar mais com ele. Mas não adianta, o tempo vai passar e a hora vai chegar.
Aquela hora temida e sofrida: a despedida.
(Até rimei)
Quando chegamos na rodoviária sempre falta bem pouco pro meu ônibus chegar. Eu fico naquela ansiedade, aquela vontade de ficar, aquele apeeerto no coração. E é abraço, beijo, pendurar no pescoço, segurar o choro, fazer manha... Mas não adianta, no final eu vou embora.
Se despedir é horrível. Eu tento não chorar porque ele não gosta (ninguém gosta de ver quem gosta chorando, né?), mas sempre acabo molhando a camiseta dele. Eu sou chorona, chorar é o que eu faço, não tenho culpa. Mas aí ele seca minhas lágrimas e me faz rir e, tá, eu não fico bem porque ainda assim eu vou embora, mas já ajuda.
Ter o apoio dele e saber que ele tá lá pra mim é ótimo, mesmo que eu vá embora. Sei que ele espera eu voltar. Difícil é sair do abraço e entrar no ônibus, ficar olhando pela janela e acenando, indo embora e vendo ele ficar.
Dói demais. É só eu sentar no banco que começo a chorar por causa daquela saudade instantânea e saber que vai demorar alguns meses pra gente se ver de novo. To nem aí se o ônibus todo vai olhar pra mim.
Mas vale a pena esperar pelo próximo encontro, sempre.
Porque é amor demais.
P.S.: To morrendo de saudades, amor.
3 comentários:
Queeeee lindo Bia :')
Ownnnn, mas ai você volta e se torna cada vez mais dificil dar tchau =/, nhac.
Nem preciso dizer que me identifiquei porque, bom, eu ainda passo por isso duas vezes ao ano. E é o aeroporto inteiro olhando pra gente com AQUELA cara feliz, né, e a gente nunca consegue parar de chorar - nenhum dos dois. E é soluço, olho vermelho e aeromoça perguntando se tá tudo bem. Em alguns anos, quem sabe, tudo isso mude. Eu só quero que mude logo, pra nunca mais ter que me despedir.
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